o Sabor do Douro

Fomos aos caminhos DO ferro do Douro, concelho de Moncorvo. Fomos ver o comboio, de que resta o património, após uma história de extraordinário progresso sobre as águas bravias, as barcas e o isolamento, epopeia de trabalho e grandes sonhos, transformados em negro e completo vazio e  delapidação.  Os sonhos de desenvolvimento foram grandes demais para a falta de desenvolvimento do interior, o esmagamento da rodovia, a “rentabilidade” e interesses. Em 1900 havia um projecto de expansão da rede ferroviária do Douro que envolvia a extensão dos ramais para sul, o Sabor até à fronteira para além de Miranda, Zamora, interligações, o Corgo até à fronteira, o Tâmega ligado à linha do Corgo através da do Minho, etc…

Mapa dos projectos ferroviários complementares a Norte do Mondego, decretado em 1900. Estão projectados os troços de Mirandela a Bragança, e de Tua a Viseu.

  O que aconteceu foi o inverso total disso! Assim, o comboio não o vimos… mas o Sabor ainda tem ferro e madeira, em estado de abandono total, tomado por vegetação e pedras de derrocadas. Resiste ainda não se sabe a quê nem para quê, pois, ao que se sabe, comboio nunca mais!

Começamos, 41 pessoas, por aceder à linha pela quinta das Bandeiras e fizemos uns 4 quilómetros até à ponte do Pocinho que duraram muito tempo…

 

 

 

 

   

 

 

 

 

À entrada da linha as Boas vindas e a justificação da atividade. Os 160 anos de comboio em Portugal, os 130 anos da chegada do comboio ao Pocinho e a Barca d’Alva e, no Tua, a Mirandela. os 112 anos do concurso do troço entre Pocinho e Moncorvo, os 30 anos no próximo ano de encerramento da linha do Douro entre o Pocinho e Barca d’Alva e de toda a linha do Sabor. Sobretudo o comboio como património e a sua delapidação. Depois foi o percurso pelo abandono…

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

…até à ponte sobre o Douro em frente ao Pocinho, na margem direita, em terras de Moncorvo.

 

 

 

 

 

 

 

Aí, tendo como testemunha a imponente rodo-ferroviária os colaboradores Nelson Campos e Duarte Belo, fizeram a história e a vida da linha e de outros caminhos prévios e posteriores. Com documentos e fotos da época Nelson Campos traçou o percurso de uso e desuso, justificações e clarificações. A história da ponte, com as rivalidades Moncorvo / Foz Côa, na altura da construção preparada para via dupla, e hoje em risco de ruir, como consta o aviso…

Desde aí rumamos ao Carvalhal, onde o minério de ferro foi o rei e, da mesma forma, o mesmo colaborador traçou o destino daquilo que foi promissora esperança e das várias reativações pensadas, a última das quais ainda dura em projecto… Carvalhal que não existia, o trabalho escravo das minas, a linha que existia por causa dele…Os vagões carregados desde o alto por teleférico, para chegarem ao Pocinho onde era baldeado para a via larga, trabalho duro!

 

 

 

 

 

 

 

 

Nelson Campos lê um extrato de livro antigo de um local, que descreve as condições e realidade do trabalho mineiro

Aqui já não é a linha abandonada, aqui é já a ecopista, desde Moncorvo a Carviçais, as estações mantidas, a linha sem madeira nem ferro, uma pista de terra. Talvez seja o futuro… A estação do Larinho que era para ser alcançada a pé, 6 Km, viu-se apenas de dentro do autocarro.

O almoço foi só depois das 14:00  e após isso, foi a visita do pequeno mas completo e valioso Museu do Ferro. Nelson Campos recebeu-nos para nos explicar a génese do Vale da Vilariça e da sua fertilidade o todo o ciclo do ferro desde a mineração à fundição e metalurgia, em vídeo, apresentação e exposição, artefactos, objectos, minerais, ferramentas e produtos, laboratório… Muito bom!

 

 

 

 

Chegamos a Vila Real às 19:00! Foi um dia cheio e ainda assim incompleto! OBRIGADO A TODOS! Esperamos que os CAMINHOS DO FERRO tenham ficado no vosso coração.

 

CRONOLOGIA DA REDE FERROVIÁRIA DO DOURO (nascimento e morte)

Início construção Inauguração em Encerramento
DOURO 8/7/1873 Régua 15/7/1879

Pinhão 1/6/1880

Pocinho 10/1/1887

Barca d’Alva 9/12/1887

Pocinho-Barca d’Alva 18/10/1988 (*)
TUA 16/10/1884 (Mir-FTua)

20/7/1903 (Mir-Brag)

Mirandela 27-29/9/1887

Macedo 10/1905

Bragança 26/10/1906

Mirandela-Macedo 12/1991

Macedo-Bragança 1992

Cachão-FTua 22/3/2003

SABOR 15/11/1903 Carviçais 17/9/1911

Mogadouro 1/7/1920

Duas Igrejas 22/5/1938

1988
CORGO 24/8/1903 (*) Vila Real 12/5/1906 (*)

Pedras 15/7/1907

Vidago 20/3/1910

(Tâmega 20/6/1919)

Chaves 20/6/1919

Vila Real-Chaves 1/1/1990

Régua Vila Real 25/3/2009

 

TÂMEGA 3/1905 Amarante 20/3/1909

Lagoaça 6/7/1927

Celorico 20/3/1932

Arco do Baúlhe 15/1/1949

Amarante -Arco 1/1/1990

Livração-Amarante 25/3/2009 (*)

 

Obs. (*) Desde Vila Real (*) 1º comboio 1/4/1906 (*) Para obras…